quarta-feira, 1 de junho de 2011

ABC dos indecisos

Ela avança, quase que a medo, para o travão que tanto teme. Ela sabe que chegou a hora de o fazer. É agora ou nunca. Se continuar vai deixar marcas... Se parar vai ficar o insaciável desejo... O maldito desejo de descobri-lo, explorá-lo, levá-lo a outras paragens sem saírem do mesmo lugar. DAMN!!!! pensa ela. Não pode tudo ser linear (ou pelo menos à sua vontade)? Life's tough.
E é embrenhada nestes pensamentos que ela recorda os olhares vibrantes, os sorrisos malandros, as conversas chocantes, os toques inebriantes. Relembra as vezes que ele lhe disse o quão linda ela é, teimosa e mandona, cativante, inteligente. Não terá isso sido apenas conversa fiada para prendê-la? Não terá ela percebido que a sua âncora é firme e ficou há muito presa noutro porto? Claro que ela o sabe mas a adrenalina do errado leva-a a querer que ele atraque em si, por instantes, só para ver as vistas e mergulhar numa praia diferente.
Ela tem noção do perigo que corre e agrada-lhe a ideia do limbo, do poder cair em tentação, do gostar e querer voltar.
A esta altura já a imaginação dela se soltou e o furacão ganha forças e vontade própria. E eis que de novo ela cai em si e lembra-se do travão das emoções e das avalanches.

Que bichinho que ela tem... E ele sabe-o. Porque também o tem...

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