Acho que tenho medo. Do depois. Do querer tudo. Não penso nisso sempre. E quando penso, tento rapidamente encontrar um assunto mais leve. Porque sei que não devo. Mas é mais forte. E tenho medo. Digo-lhe isso, em perguntas, daquelas que desviam a atenção do essencial. Daquilo que não quero pensar. E o sorriso é tantas vezes mais esclarecedor que qualquer palavra. É repetitivo. Mas eu sei-o. Sei-o de cor. Mas não paro. Tenho medo. E sabes tu do que falo?
Do querer explodir. De mostrar que estou feliz. Que sabe bem o sorriso. Quando mais ninguém entende. E ás vezes o medo paralisa-me. Dou um passo atrás. Mas não deixo de sentir. Sinto mais. Tudo mais forte. Mais intenso. Não sei lidar com isso. Com essa coisa estranha que me assalta. Sim, eu sei, tem um nome. Mas só o sentir tudo já é forte demais. E as palavras não esclarecem. Baralham. São irritantes, às vezes.
Podem encurtar distâncias. E isso irrita. Não podem dar-me o sorriso. É isso, isso deixa-me com medo. Da fuga. De perder. Sinto falta de tudo. Mesmo quando estou perto.
Tenho medo. Isso alimenta-me e consome-me.
Se não fosse o maldito sorriso.
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