Há que admitir que nessas conversas sobre homens, mulheres e a volatilidade das relações costuma surgir um argumento que me fascina: o da inevitabilidade de "seguir o coração", como se fosse nosso destino incontrolável (senão mesmo obrigação moral) correr atrás de todas as paixões da alma. É como se o homem e a mulher dos dias de hoje estivessem condenados a seguir na correnteza sentimental, não tendo bracinhos nem perninhas para remar contra a maré.
Isto é uma extraordinária contradição, porque ao mesmo tempo que vivemos na era de todos os individualismos parece que não somos donos dos nossos destinos nas matérias do coração. Se alguém se enrola com a colega de trabalho, encolhem-se os ombros, porque, afinal, apenas se "seguiram os sentimentos". Esta espécie de incapacidade em matéria sentimental é profundamente infantil, e uma desculpa confortável para aliviar pesos de consciência- não se está a trair, mas sim a ser-se fiel a si próprio. Eu cá não acredito muito nisso, portanto vou continuando à procura do cavalo encantado montado no burro branco. ;)
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