sábado, 6 de agosto de 2011

sem saída...

...em estado de ansiedade.
assim sem maiúsculas, nem qualquer referência ao início, porque ela não queria começar, queria apenas estar. este apenas 'estar' soava-lhe a suficiente, sem necessidade de uma espera desesperada.
apetecia-lhe tocar-lhe, sentir-lhe os ossos. não, não tem de ser o início de coisa nenhuma, já te disse. ela não gosta de estórias que começam e acabam. é um flow. e dizer isto assim, de forma nua e sincera, desprendida, deveria ser ser o suficiente. é apenas estar. tens medo exactamente do quê? perguntava-lhe ela. ela queria apenas estar. é preciso repetir? ESTAR!
abrir a porta, decorar livros, molduras, pinturas, músicas, pedaços daquele mundo fechado a sete chaves a que ele gostava de chamar refúgio. deixas-me entar?, perguntou-lhe. ele disse a medo, devagarinho, como quem receia uma intromissão, podes vir, mas devagar. ela repetiu, e repetiu, que só queria estar. o ficar era irrelevante. ele, novamente a medo, resolveu dizer-lhe, se entrares não vais conseguir sair. são estas as condições, aceitas? ela murmurou, aceito. é suficiente - reafirmou. e pensou, sem verbalizar, que talvez fosse demasiado confuso. mas bastava-lhe o estar.
e isso, ele deu-lhe de mão beijada.

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